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é bonita, é bonita e é bonita.

"larga a caneta no papel, olha pro céu, sente a brisa no cabelo. distraia-se com o teto em branco, o papel de parede, a mosca na janela. grita pelo teu time, grita pelo teu amado, abraça o amigo, abraça o inimigo, beija o teu amor. absorva cultura, jogue fora o superficial. replete o vazio, esvazie o exagero. esteja rodeado de pessoas boas, mas depois afaste-se de quem te faz mal. planeja com cuidado, com carinho o futuro, mas viva com espontaneidade, confie um pouco no destino, faz bem. acima de tudo, orgulhe-se da vida que você leva, das decisões que você toma, dos amores que você tem e viva, porque a vida é bela e merece ser vivida."

"sei lá, sei lá / só sei que é preciso paixão / sei lá, sei lá / a vida tem sempre razão" (Vinicius de Moraes) 

relaxa.

"calmaria, confusão, 
confusão, calmaria. 

vontade de dizer tudo, assim, em letra, em palavra, em frase. 
vontade de dizer, assim, de gritar, de esperniar,
assim, só pra extravasar. 

organizar uns pensamentos em linhas, 
desfazer essa bagunça que, estranhamente, a rotina induziu. 

deixa eu brincar,
deixa eu chorar, 
deixa de bobeira,
deixa de tristeza. 

fecha o olho, 
respira fundo, 
tudo se ajeita no final."

he said it.

"Já não dói mais. Mas dá saudade." (Caio F. Abreu) 

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vinte e quatro de abril.

Vem cá ler e saber que é sobre você, 
deixa essa obsessão acabar. 

Vem acalmar meu coração,
não deixa essa batida ser em vão. 

Faz eu parar de rimar, 
tenho dó das minhas palavras no ar. 

Qual é a razão delas, 
se não sabes que sobre você elas são.

atrás do calendário de março.

Falamos com aquele que não quer ouvir
Ignoramos quem quer dar-nos atenção. 

Focamo-nos no supérfulo, 
nos perdemos no conhecimento, agora tão mal valorizado. 

Quem pergunta já não é filósofo, 
é apenas mais um chato que faz o tempo não passar. 

O Infinito parece ser tão limitado, 
e ainda que os dias sejam curtos, 
o futuro continua estando longe. 

O por quê já não é um motivo em si. 
O sentido deixou de ter valor
que dirá a razão... 

O gosto é subjetivo e de concreto, 
só importa o valor das cifras dentro da carteira. 

Olha, lá se foi outra paixão... que paixão? 
Vi ela passar por aqui. 
O sol - que já não nos damos mais o desfrute de sentir, 
a queimou antes que pudéssemos senti-la. 

Já não há paciência para as melodias. 
Já não há tempo para o amor. 

run for our life, stay in the sun.

Havia apenas algumas semanas desde que eu tinha entrado naquela fortaleza pela primeira vez. Apesar da aparência digna de um filme de época, na beira de uma praia paradisíaca, quase como em um filme de sereias da Disney, o seu interior era futurístico, feito de titânio e outros metais super-resistentes. Centenas de enormes escadas e pontes cinzas ligavam os andares e corredores da instituição. Normalmente, o lugar era altamente iluminado, com lâmpadas de LED, e bem arejado, deixando o ambiente confortável e adorável, apesar de seu propósito. 

Porém, hoje, havia um clima de tensão no ar. Os calouros, recém chegados, olhavam confusos e desconfiados por quem passava ao lado deles, preocupados com um possível ataque dos mais velhos. Não fazia muito sentido, uma vez que, em outras instituições as "brincadeiras de boas vindas" não resumiam atos tão agressivos e nem ameaças tão escandalosas - guerra de mentira dentro de uma escola de guerra? Um sinal foi dado, uma espécie de alarme que os remetia a um ensaio de vazamento nuclear. 

Era quase possível ouvir os corações dos recém chegados acelerando. Comecei a correr quando percebi que estava sendo seguida por uma garota de cabelos estupidamente lisos. Não havia muito que fazer, eu provavelmente seria encurralada em algum canto, uma vez que o prédio era muito grande e eu mal o conhecia, mas não ia desistir fácil. Passei por várias caras familiares igualmente assustadas, correndo, pulando, jogando-se de um lance de escadas para o outro. Chegava a ser revoltante, mas todos nós meio que tínhamos sido manipulados para pensar que eles eram muito mais fortes que nós. Teoria de guerra, vai entender. Estavam nos preparando bem, logo de cara, no estilo militar, talvez?

Eu vestia um jeans apertado, mas não o suficiente para me atrapalhar na corrida. Minha blusa azul-marinho justa era fresca, então eu não tinha suado muito ainda, apesar de ter descido cerca de sete andares no tempo que uma pessoa em situações normais tomaria para descer alguns pares de lances de escada. Já havia me distanciado o suficiente da minha perseguidora para começar a procurar um lugar para me esconder, quando, ao virar à direita em um dos corredores do andar, vi um rosto que meu coração secretamente gostou de reconhecer. 

"Você tem ideia de para onde está indo?" - ele perguntou, tão perdido quanto eu, apontando para o caminho a nossa frente, tentando sorrir em meio a respiração irregular. 

"Não tenho ideia." - ri, enquanto tentava recuperar meu fôlego. - "Me disseram que lá fora é seguro." 

Fomos andando em passos largos e rápido esperando para que encontrássemos a luz do sol ou uma saída na próxima esquina. Passamos por algumas portas, alguns amigos passaram correndo por nós, sendo perseguidos, uma vez que para cada veterano havia sido designado um calouro, eles não apresentavam risco para nós, ainda. Depois de andarmos quase trinta minutos, já quase exaustos, com os corações prontos para pularem por nossa boca, encontramos uma pequena saída por um duto no canto do corredor. Nos abaixamos - ele foi na minha frente, como se quisesse me proteger do que estivesse lá fora, caso houvesse perigo.

Quando saímos do duto, cegos pela luz ofuscante do Sol, sentimos areia sob nossas mãos e joelhos. Nos levantamos e fomos até a beira da praia, onde outros amigos nossos estavam, felizes por estarem a salvo, pelo menos por ora. Olhei para o lado, procurando por uma sombra fresca para me acalmar e descansar um pouco e me deparei com uma rocha escura do tamanho de um prédio de três andares (mas que não era nem da altura do muro branco da instituição) que fazia, em sua base, uma pequena gruta - que parecia me chamar com as ondas do mar. Havia uma espécie de pano laranja fino forrando a areia, estendido por uma amiga de meu companheiro umas horas antes, que gentilmente me deixou repousar ali. 

Depois de me distrair rapidamente com uma gaivotas enquanto tentava manter minha respiração regular, vi o garoto deitando-se onde eu ia ficar. Quando ele me viu, ainda em pé, com a mão deitada sobre minhas sobrancelhas, fazendo sombra sobre meus olhos, olhando para ele, ele mexeu-se, posicionando-se mais ao fundo da pequena gruta, me chamando para ficar perto dele. Ainda bateria sol em certas partes de nós, mas pelo o que eu estava sentindo, não ia fazer muita diferença para nenhum de nós.

"Tem espaço, ó, senta aqui," - ele pediu, mostrando, enquanto esticou a mão e protegeu a minha com a outra dele quando viu que a minha estava bem gelada. - "Vem ficar aqui no Sol comigo, vem..."

Eu me deitei ao lado dele, deixando cair areia, de alguma forma, sobre ele. Ele agradeceu sarcasticamente, brincando. Não me importava muito alguns colegas cochichando ao fundo, nem muito menos como íamos lidar com o perigo de nossos veteranos mais tarde: ele me protegia com o seu olhar gentil, seu sorriso era calmaria meio a guerra, a calmaria no olho do furacão. O Sol esquentava minha pele e ele, bem ali do meu lado, esquentava meu coração. 

retorna-me.

Oi. Queria te dizer que eu tô morrendo de vontade de falar com você. É, sabe, falar sobre nada, rir um pouco sobre toda essa estranheza das duas semanas. É. Quero que você afaste todo esse nervosismo trêmulo do meu corpo... quero que você me faça sorrir de novo, que nem nesse último final de tarde. 

Como se começa uma conversa?   Acho que perdi o jeito, como se faz mesmo? Ah, é. Começa com um sorriso, não é? E que sorriso...! Sorri de novo pra mim?

Me faz rir de novo, me tira dessa inércia amorosa, me tira do chão, faz minha vida virar ao contrário. Deixa isso ser um amor de final de verão... de outono. Deixa ser um amor adolescente, deixa ser uma paixão para a vida toda. Apenas não deixe do jeito que está. Diga que sim, diga que não, arraze com o meu coração. Eu deixo.

Deixa eu olhar no fundo dos teus olhos, deixa eu ouvir você tocar esse violão, garoto. Pede para eu parar, mas de brincadeira.

Pede para eu parar de sorrir feito uma imbecil. Manda meu estômago parar de se contrair toda vez que eu lembro do teu sorriso tímido, do teu convite. Diz pro meu corpo parar de tremer ou de agir por conta própria só de pensar em falar contigo. Manda eu parar, de novo. Tira meu sono, pega mais um sorriso meu. Talvez eu pare, talvez não. Tenta. 

Você gosta? Faz tempo que eu não me sinto assim... viva! Não deixa eu perder essa chance, vem estar vivo comigo. 

Secretamente, peço-te para parar de me fazer sorrir abobadamente, parar de me fazer acreditar em ilusões, digo, amor à primeira vista, mesmo gostando disso um pouco. Vem mostrar que eu ainda tenho inocência o suficiente para acreditar nisso. Fale comigo uma besteira, deixa eu ser sua amiga. Deixa eu segurar tua mão... aliás, vem cá segurar a minha? 

Brinca comigo, me ache estranha... Me procure entre as cadeiras, entre a multidão formigante, encontre meus olhos perdidos nela, procurando pelos seus, envergonhada. Me pergunta uma coisa que você já sabe, não me deixa assim. Deixa eu sorrir sozinha, fantasiando, mas diga para eu parar de fantasiar, para eu não me machucar.

Deixa eu acreditar que isso pode ser de verdade, deixa eu acreditar que eu posso ser feliz com alguém que nem você. Deixa eu acreditar que um dia você vai ler isso aqui e saber que é sobre você. 

No fim, apenas diga para mim que você quer tudo isso, porque no fundo, é tudo o que eu quero também. 

leaving.

Ele jogou-se sobre sofá perfeitamente branco, de bruços, bem em cima dela. Puxou a blusa para que ela pudesse acariciar-lhe as costas um pouco. Ele gostava desses mimos. Ela encarou aquele pedaço de pele nua por alguns segundos, confusa. Havia sido difícil chegar naquela posição; de ficar perto dele e não se importar tanto assim. A convivência tinha sido comprometida meses atrás, mas, aos poucos, voltava ao normal. Ela perguntou-se o que ele pretendia - confudi-la um pouco mais? Afinal, eles gostam desse tipo de jogo, já era normal...

"Engraçado, né?" - ela disse, enquanto desenhava com seus dedos o contorno das costas dele, sem conseguir esconder seu sorriso, carimbado no rosto, justamente por estar naquela posição, apesar das outras pessoas no recinto. - "Mesmo depois de todo esse tempo, mesmo não querendo nada contigo nem você comigo... foi pro seu número que eu fiquei encarando na quinta passada, me corroendo. Era pra você que eu queria ligar e contar tudo. Era pra você que eu queria perguntar, mesmo sabendo que você não entende nada sobre o assunto."

"Ah, pára com isso." - ele disse, bocejando. - "Deixa de ser boba, eu não sou tão importante assim."

Ela permaneceu em silêncio, encarando seus pés apoiados sobre mesinha de centro na sua frente. Ah, se ele soubesse. Fantasiou um destino impossível, brincou com o improvável em sua cabeça. Ah, se ele soubesse que é com ele que ela desperdiçaria fins de tardes fazendo absolutamente nada. Era ele, apesar dos pesares, que ela queria que fosse mais amigo do que era, sem outras possíveis intenções.

Ah, se ele soubesse que ela, ainda assim, esperaria por algo que tinha probabilidades infímas de acontecer.

"Você sabe que eu estou indo embora," - disse ele, cobrindo sua nuca com mais uma almofada amarelo-gema, com a voz abafada pelos panos. - "É meio complicado, mesmo que alguma coisa entre a gente rolasse..."

"Eu também não queria que nada acontecesse agora." - ela parou de acaricia-lo um pouco e ele se mexeu, pedindo por mais. - "Você sabe como eu funciono... eu só acho que você deveria saber. Sempre."

"Fica tranquila. Eu sei." - mexeu nas almofadas ao seu redor e botou a mão sobre a boca, provavelmente para que não babasse após dormir. Ela passou a fazer carinho em sua cabeça, passando seus dedos entre os fios de seu cabelo levemente embaraçado pelo vento da praia, ao longe. Quanta ternura. - "Eu não vou esquecer disso."

Não muito tempo depois, adormeceu sobre os carinhos dela.

E se ele soubesse?

(ele sabe.)

       

chicago.

Half past six at night in Chicago. The city was cold as ice as Liz was leaving the office in North Michigan Ave. She looked a few times at her cellphone, hoping she'd get a call from her boss asking her to stay there working so she couldn't make it to a meeting she had been postponing for the last eight years.

She took the elevators and a cab that drove all the way down to millenium park, one of the most beautiful parks of Chicago. There was something inside her chest keeping her from breathing normally, aching every beat of her heart. She really wanted to go there and meet him, but she was afraid - not sure of what, but she was sure as hell afraid of something. Before paying the taxi driver and entering the park, she went through her high school memories - her best friend, her ex boyfriends - how weird it would be to talk about all that after the years that went by?

She took a deep breath, even though she instantly regretted it, since the cold air freezed her insides. The park had a yellow lightening design giving a whole golden color to the blue and cold chicago night.

While approching to the Cloud Gate - they have never met there nor in anywhere else in the city, but she simply knew she would find him there - Liz looked after that familiar old face among all those strange people. After a few minutes, that felt like a couple of hours, she found him in the crowd and waited him to get closer. She wouldn't know what to say, so she desperately hoped he would start the conversation.

"I honestly thought you wouldn't make it here." - she couldn't decide what she missed the most: the enchanting smile or the greenish eyes.

"It's been eight years, Alex. Why wouldn't I come?"

"Well, you didn't come eight years ago, remember?"

"What do you want?" - Liz sighed - "Honestly, be quick, it's cold as ice here."

"Honestly?" - he looked away, observing the naked oaks in the park, then stared at her for a few seconds - "To be quite honest, I'd hug you strongly now, then I'd shake you for being such a stupid human being back then. Afterwards, when you'd be all dizzy, I'd kiss you, because that's exactly what I'd have done the most in the last eight bloody years."

"C'mon, Alex. Are you gonna tell me you are not over me? You never found anyone?" - she was serious - "You made it to college, right? You grew up, you are a man now... apparently a detective..."

"I wouldn't say I became obcessed, but there were days that I thought of you, wondered where the hell you were, who you were. I don't know, Liz, I just wanted to know what made you change our destiny so stupidly. We had everything planned out, remember?"

"Jesus, all those years and you're still a hopeless romantic." - she laughed.

"Why?" - she looked down, playing with her feet and Alex lifted her chin with his index finger. Both of them, without the other knowing, remembered it was just like that back in high school. - "Don't waste our time. You've thought about this, you know you did."

Elizabeth approched, looking deeply into his eyes. She felt his heavy, fast and hot breathing. Before she could even noticed, Alex pulled her closer, by grabbing her coat in her waist and kissed her. It was more than just a kiss. It wasn't a simple kiss. He didn't even think about Summer, he didn't consider if Lizzie had someone, maybe she was even married. However, it didn't matter. He longed for that kiss for so many days and nights, but he didn't even know why anymore.

He just wanted it. They both wanted it.

metalinguagem 2

e chega uma hora, que tudo que você escreve parece substancialmente errado. parece que existem milhões de erros ortográficos num período de meia dúzia de palavras. concordância nominal e verbal? pff, que dirá a própria continuidade da história. se perder no meio de um furacão de sentimentos que não deveriam ser seus - aliás, só são porque os donos deles são os monstros que você mesmo criou. é, com papel e caneta ou com um editor de texto e um teclado, dá para criar vidas. vidas que se misturam com a sua de uma forma que quase ninguém é capaz de entender. e em noites como esta, o fardo é um pouquinho pesado demais, o de fazer a história deles, tão meus e tão independentes de mim, ser escrita para ser concretizada, mesmo que não dependa exatamente de mim pra isso acontecer; eu poderia lutar contra isso, é verdade, mas seria tão ruim como uma crise de abstinência, afinal, as palavras são o meu maior vício.

e no final das contas, é essa loucura que me mantém sã.

lies are no good.

"tem certas coisas que não são fáceis de serem ditas. é por isso que tem tanta gente que prefere manter mentiras ao invés de se entender com a verdade. ela pode solucionar ou aniquilar um sentimento, pode resolver ou complicar as coisas. embora as consequências de se dizer a verdade sejam tão imprevisíveis, mentir ou fazer isso por muito tempo nunca é uma opção a ser considerada. vai doer em todo mundo. tanto em quem mente tanto em quem foi enganado. e por mais que pareça errado detonar com as esperanças de alguém em relação à algo, nada é mais horrível do que a dor de ser iludido. ninguém disse que é fácil, ninguém disse que é simples. não tem como descomplicar. a gente até amacia as palavras, dá um jeito na frase, mas no fundo, a consistência da verdade não muda.

e jamais deverá ser mudada. porque aí, meu amigo, é mentira."

(adoro essa minha mania de escrever pra me convencer de certas coisas.)

"I think I should know how to make love to something innocent without leaving my fingerprints out. How do I say I'm sorry the word is not gonna come out. L O V E is just another word I'll never learn to pronnounce."

here's to the fast times.

é costume meu fazer isso e eu nem sei muito bem porque. eu gosto de tentar lembrar dos meus erros e acertos durante o período de doze meses e tirar as melhores lições possíveis disso tudo.

eu diria que foi um ano de fortes emoções: foi repleto de medos, inseguranças, mas também de risos histéricos e muita coisa boa. é, teve a tristeza mais profunda, mas também a felicidade mais verdadeira. acho que é assim que a vida tem que ser, se não ela fica chata.

tive shows muito bons, encontrei pessoas maravilhosas. fui capaz de acertar nas amizades, joguei tudo que não me fazia bem para escanteio. me surpreendi muito com as pessoas, tanto pra bem quanto pra mal. apesar de ter sido um ano cheio de inseguranças estudantis, um ciclo foi terminado. fui capaz de levar tudo de um jeito que eu não achei que pudesse ser feito. e fui feliz assim.

o susto enorme do pedro, a perda do nonno e uns detalhes familiares que são capazes de levar qualquer um à loucura, foi um ano que me ensinou a ser um pouquinho mais forte, mas também me disse que ser vunerável não faz mal a ninguém. lidei com medos antes tidos como insuperáveis, conquistei coisas que uma parte de mim já tinha até desistido um pouquinho de conseguir.

o fato de ter acertado nas amizades - e tê-las feito mais fortes foi um ponto chave, nada teria sido do jeito que foi sem isso. um apredizado que veio direto de 2010, que foi lidar com os problemas de uma forma mais natural, um obstáculo de cada vez, fez tudo parecer um pouco menos alucinante. é sempre bom lembrar que sou grata por cada um dos momentos que vivenciei e pelas pessoas que tenho em minha vida hoje.

aprendi a amar e desaprendi no mesmo passo, cai em tentações, acabei por enganar e fui enganada. sonhos antigos me desiludiram, aprendi que é sempre preciso um pouquinho mais de esforço. "coisas boas acontecem com aqueles que esperam" e trabalham duro, porque né?

aprendi também que a gente nunca sabe o dia de amanhã. posso acordar daqui a 8 horas e a minha vida estar completamente diferente do que era há uma semana atrás. aprendi que a vida é algo muito, muito frágil e que nunca é tarde pra dizer que se ama alguém, nunca é demais abraçar e beijar alguém. "é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã".

me apaixonei mais pelo jornalismo, pelo futebol e pela escrita, mas não desaprendi a ser teimosa, impaciente ou orgulhosa. também não aprendi a tirar a louça na hora certa, não aprendi a ser organizada ao ponto de conseguir concidir tudo que eu quero fazer. não aprendi a tocar violão, não li os quarenta livros que eu tenho em casa pra ler, não aprendi a falar italiano ou alemão, não fiz meu curso de fotografia, não viajei, mas pelo menos, aprendi a lidar mais com os sentimentos dos outros, agora só falta aprender a lidar com os meus e concidir isso tudo, o que não é nada fácil. não aprendi a ter mais paciência com o próximo e nem a ser menos grosseira por causa disso, mas tenho trabalhado nisso - além de ter aprendido que pedir desculpas depois é de bom grado.

fiz dezoito anos, mas acho que no fundo eu ainda sou uma criança vestida de adulta. tem tanta coisa pra viver, pra ver e sentir. hoje, sou apenas um liquidificador de informações e sentimentos, na velocidade turbo e com a certeza de que a mistura ainda vai demorar pra ficar pronta. minha mente ainda gira como um ventilador em um dia de verão toda vez que eu tenho que tomar uma decisão. mas se não é muita falta de modestia, acho que me tornei uma pessoa um pouquinho melhor.

o ano passou numa velocidade estúpida e 2012 tem tudo pra ser igual, porque ele já vem com desafios grandes de antemão, cheio de metas a serem cumpridas. estou animada com o futuro, ansiosa pelas coisas desconhecidas que veem ali no virar da esquina.

então vem, 2012, vem ser inesquecível!

"um brinde ao desconhecido!"

how is that even worth it?

"de que vale (tentar) entender, se tudo o que fazemos é destruir?
talvez o problema do que não tivemos foi sentir.
(...)
de que vale, se isso se perde?
de que vale, se isso desperdiça-se?" (09/08/2011)

truth be told.

queria poder dizer que te odeio com todas as minhas forças e que você não passa de um idiota medíocre atrás de atenção, que não entende os sinais mais obvios do interesse alheio. e enquanto eu desperdiço as palavras que poderiam ser tuas - e só tuas, - coisa que eu havia jurado nunca mais fazer, você perde tempo entre um gole e outro. (assim como eu...?)

"imbecil!"

almost here.

isso só acaba quando a minha música tocar e eu botar meu diploma debaixo do braço, mas de qualquer forma, não há coisa melhor do que tirar um peso do tamanho do enem das minhas coisas. tá na hora de dizer olá para as minhas tardes ensoladas, pra mais tempo com os amigos, pra clof e meus textos, pras séries e filmes há muito acumulados, pros milhões de CDs baixados e não ouvidos, pra pintura (faz três anos!), pra ginástica e, principalmente, pra simples vida de uma mera moral que tanto senti falta.

"we still have the summer after all."

fiesta.

Era o final da festa. Os dois estavam sentados numa pequena mureta de concreto, separados de todo o resto. Um casal se beijava apaixonadamente bem atrás deles, mas não parecia importar. O assunto urgente, borbulhava entre gesticulações e palavras difíceis para explicar o inexplicável.

"Eu acho que ela entende." - Ele diz ao deixar cair os ombros e abaixar a cabeça. - "No fundo, ela entende."

"Isso só prova que você não entende." - Ele levanta a cabeça, assustado, seus olhos a questionavam." - "Digo, se você entendesse, você entenderia porque ela não entende."

Eles riem.

"Seria engraçado se a gente se gostasse. Seríamos o casal perfeito." - Ela abraça levemente os joelhos. - "Mesmo que não funcionasse."

"Seria estranho, no fundo não pareceria certo..." - Ele para, como se questionasse o que dissera - "Não faz sentido nenhum, faz?"

"Talvez não faça, mas quem disse que precisa fazer? Você é estranho e eu gosto de você."

Uns amigos ao fundo o chamam para dançar. Era quase meia noite. Ele recusa e olha para ela de novo.

"Conte-me sua vida amorosa então." - ele pergunta, e seus lábios curvam-se, num sorriso maroto.

"Eu contaria se tivesse uma." - ela ri - "Eu complico o que não tem que complicar, vejo coisas onde não há nada pra ser visto."

"Sei bem como é isso."

"Pois é."

"Você acha que teria chance, eu e ela?" - Indaga, ao discretamente apontar para uma menina que dançava ao longe.

"Não gosto de botar esperança em algo que desconheço." - Ela abaixa a cabeça e estica as pernas.

"Assim você acaba comigo."

"Não gosto de ver aqueles que amo sofrendo." - Olha para o céu. - "Sabe, se eu mentir pra você, você terá que se acostumar com a mentira e depois com a dor da verdade tardia. Por mais que às vezes a mentira seja mais fácil, tentatora, confortante e bonita de ser dita, a verdade é sempre a melhor solução a longo prazo."

"Mas tem que ter um jeito." - Ele coça a nuca, não muito convencido.

"Deixa de ser teimoso."

"Esse sou eu."

"Eu sei."

have new septembers.

(...) Não era assim que era pra ser. As palavras estavam perdidas no silêncio de uma noite chuvosa. As gotas d'água acertavam violentamente a janela da cozinha e Alexandra apertava seus punhos contra suas orelhas numa tentativa de esquecer o mundo lá fora - sua vida já estava complicada demais ali dentro.

Havia vidro no chão da cozinha. Estilhaços em todo o lugar.

Ela estava sentada naquela cadeira de madeira com os cotovelos segurando o peso da cabeça à quase uma hora. Ele tinha ido embora, provavelmente tinha subido para o quarto, mas seu perfume - misturado com o de tabaco - voltava a se misturar no ar, ele estava voltando. Sentiu a mão dele subindo pelo seu pescoço e agarrar-lhe o cabelo. Forte, bruto, ao mesmo tempo, com compaixão.

Que paixão nojenta, suja, desprezível!

Puxou a cabeça dela para trás, para que ela pudesse olhar nos olhos dele. Alexandra não queria. Estava tudo errado demais para funcionar.

"Você sabe que eu preciso ir. Não faça isso mais difícil do que já é pra você."

Nada. Ela não ia desperdiçar suas palavras mais uma vez. Ele precisava ficar, não tinha graça sem ele.

"Vamos. Levanta."

Nada. A raiva queimava no peito dele. Desesperava-se sem mostrar. Seu rosto era frio, sem emoções. Fosse o monstro que fosse, não gostava de vê-la sofrer.

"Você vai se odiar de manhã se você não disser adeus."

Ele segurou o braço de Alexandra fortemente e, com um puxão, a levantou. Seus cabelos cor de mel colavam no rosto já vermelho de tanto (tentar) secar as lágrimas.

Ele a abraçou. Inesperadamente. Ela não esperava, nem ele. Apenas parecia a coisa certa a fazer.

Os braços de John a apertavam como se, no fundo, ele também não quisesse ir. Mesmo que ele pertencesse à estrada. As viagens, a vida bagunçada, sem horário, em compromissos, apenas holofotes, uma guitarra, um microfone e várias musas. Esse era John, era assim que ele vivia. Pulando de cidade em cidade, conhecendo novas e revendo rostos antigos. Nada de melancolia, nada de amor.

Ele mal sabia o que era amor.

Alexandra gostava de caras como ele. Plural. Toda vez que eles apareciam na cidade, ela fazia de tudo para conseguir um passe livre para uma noite de loucuras, por que não? Quem disse que era errado ser feliz daquele jeito? Até os Beatles tiveram groupies!

O que era diferente daquela vez?

Da mesma forma que John acendia a chama da selvageria, ele sabia fazer Alexandra se sentir estupida e extasiadamente feliz. Uma euforia infinita que agarrava em seu peito e parecia não sair dali enquanto ele estivesse na cidade. O Verão tinha sido curto, desde que o conhecera, naquele festival de músicas rodopiante. Era a primeira fez em seis anos que John não passaria a estação mais quente do ano viajando sem parar. Poderia aproveitar um pouco do seu velho apartamento de quarto-sala-cozinha no baixo Brooklyn e se deliciar com as noites efervescentes nova iorquinas.

Alexandra debateu-se, mas ele não soltou. Ela não queria sentir o sabor de seus lábios amargos ou o calor dos braços dele pela última vez. Até logos também não funcionariam. Ela conhecia caras como John.

Eles simplesmente não voltavam.

nonno.

bateu aquela saudade de você.

faz pouco mais de três meses, mas no fundo parece que você nem sei foi
ainda. parece que eu tenho sido uma neta ruim e não tenho ido te visitar. é
estranho e sempre vai ser entrar na sua casa e não te ver sentado no sofá
mostarda ou no escritório botando a cadeira pra trás só pra espiar quem
chegou ou simplesmente sentar na cabeceira oposta a você e observar como você
come cada alimento da mesa e espera que a nonna não note que, para variar,
você está fora da dieta.

a barriga era um sinal de força, né, vô?

quantas tardes calorentas a gente não sentou pra ver TV e assistimos
programar de viagens no Discovery e no People & Arts, aprendemos um pouco
sobre mitologia grega e você me contou sobre alguma coisa sobre Orlando.
Quando desse a hora do jornal nacional, todo mundo tinha que ficar calado e
antes do segundo bloco da novela, você já estava pronto para ir deitar - só
para estar de pé às 5:15 da manhã e encontrar seus amigos na padaria antes
mesmo dela abrir.

Sinto falta de te cumprimentar com um beijo na testa grisalha, de assistir
os jogos do flamengo com você, de te encontrar fazendo palavra cruzada ou
lendo O Globo. Saudades de ouvir você berrando "MÉLIA!", de pegar um copo
d'água pra você, de ver você roubando mais um bolinho de beringela nos
almoços de domingo. sinto sua falta, demais.

a gente precisa amar as pessoas como se não houvesse amanhã, já dizia renato
russo. me lembro claramente de beijar a sua testa naquele final de tarde de
segunda feira, dizendo que estaria lá na sexta feira... quem diria que quem
não estaria lá ia ser você, né? é tão estranho isso. uma hora a gente está
ali, nem que seja com a vida pelo fio e do nada... pronto, acabou. como a
vida pode ser algo tão... quebrável? como um convívio pode ser tão
brutalmente cortado?

vô, desculpa se eu nunca tive a oportunidade de dizer isso pra você enquanto
tive a chance, mas eu aprendi muito com você, tanto com seus erros quanto
com seus acertos. você me ensinou que ser batalhadora e determinada é muito
importante. obrigada por ter me dado a chance de conviver com você e
desculpa se eu nunca gostei de todas aquelas frutas ou se eu não me lembrei
daquela viagem a disney, não foi por mal.

metalinguagem

eu tentei negar por muito tempo, mas não tem como dizer que a criação não se vira contra o criador uma vez na vida pelo menos. depois de tantas vezes, uma hora a gente não pode fingir que é cego e que não está acontecendo. e por mais que seja uma das minhas duas maiores paixões, a verdade é que eu me arrependo um pouco da escolha de tentar ser uma pseudo escritora.

criar um mundo novo com pessoas que são tão complexas, tão perfeitamente erradas, com seus problemas individuais, com amores destruídos, vidas complicadas e finais (in)felizes é mais perturbador do que parece. porque mais cedo ou mais tarde, elas vão crescendo dentro de você, você se apaixona por elas, torce, grita, briga com elas. arrancam um pouquinho da vida que a gente tem - e como todo escritor é um pouquinho masoquista, a gente simplesmente dá. é a forma de vida, deles, personagens, pessoas que, mal ou bem, existem em algum lugar da terra do nunca. estão lá, perdidas, vagando entre uma entrelinha e outra. tal como nós, de carne osso, estão esperando que alguém tenha a coragem de pegar uma caneta e escreva a (própria) história.

só quem cria, sabe. a arte de inventar é bela, tentadora e tem seu preço. dói ao mesmo tempo que é extasiante. em retrospecto, eles são tudo o que eu fui e não quis ser, tudo que não fui e talvez queria ter sido. são eu ao mesmo tempo que não são, e são meus... ao mesmo tempo que simplesmente não são.

aim your arrows high

lembra quando você passou a acreditar no seu potencial? lembra como isso fez tudo ser mais fácil? dar o máximo de si mesmo te levou aos lugares que você queria. por que seria diferente dessa vez?

acredite.

"shoot for the moon, even if you miss, you will land among the stars."

mindless behavior.

"Out of all the things I have lost, I miss my mind the most." - Mark Twain.

wanderlust

wanderlust (noun): a strong desire or urge to explore and discover the world.

dreaming.

certa vez me disseram que se sonhar servia para criar objetivos, também era uma forma de nos mostrar como ir longe e sermos (estupidamente) grandes. mas ninguém contou que, além disso, é uma bela forma de nos ferrar da forma mais... cruel e terrível possível e de nos fazer cair.


aí acabei descobrindo que o nosso problema sempre foi sonhar alto demais.


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truth be told.

tô à 10 semanas do final de semana mais importante dos últimos... dezoito anos. é estranho voltar a falar de ansiedade, é estranho, mesmo sabendo que não é tão amargo como da última vez - pelo menos não dói. é uma mistura de antecipação com medo do desconhecido, normal, acredito eu. normal. é. que o desanimo bata, pelos mais variados motivos, mesmo assim me parece que nada é suficiente pra me tirar do foco, e, sei lá, meus devaneios não me abalam mais - apenas me fazem sonhar um pouco mais alto. e quer saber? aprendi que tudo começa com um plano.

"maybe it's not my weekend, but it's gonna be MY YEAR."

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estar sentada numa praia de cascais, num parque parisiense. gastar uma grana no casino do estoril, rodar pelas ruas de lisboa à noite. colecionar as moedas do euro, se perder em berlim. almoçar num beco italiano com o cheiro de pizza caseira saturando o ar primaveril, jantar num bar alemão. andar de trem até ao porto e voltar para madrid no mesmo dia. assistir um "él classico" e logo no final de semana seguinte, um derby de milão. respirar o ar da alsácia, tossir em pleno fogue londrino. se agasalhar por causa do frio holandês e ir pegar umas tulipas na rua. ir até amsterdã, ver se é tudo tão doido assim. desgustar o chocolate belga. se infiltrar nas ruelas italianas, espanholas, francesas, londrinas, alemãs. encontrar um português dos olhos azuis em sintra ou um italiano dos olhos verdes em napoli. se casar com ele, por que não? conhecer o vesúvio, se apaixonar por veneza. ir até viseu comer comida caseira, passar um dia inteiro só na fila do louvrè. andar na faixa glorificada pelos meninos de liverpool e quem sabe comemorar na terra do verdadeiro champagne. torrar no sol de verão da toscana, fazer compras em milão, paris. dar um pulo na escócia, quem sabe na grécia, esquiar na suíça. ler um livro nova iorquino ao esperar o trem para aústria. fazer isso tudo com uma câmera na mão e um bloquinho de notas no bolso.

chorar ao deixar o continente velho, mas nunca deixar de rir ao lembrar das memórias conquistadas nele.

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make plans to break plans.

meu plano atualmente é se baseia em fazer a marcha até outubro ser o mais produtiva possível, acabar com isso, se formar, começar a faculdade, juntar dinheiro de alguma forma e viajar. ver fotos, analisar pacotes de CVCs da vida não estão sendo mais suficientes. e ouvir histórias só tem feito o desejo aumentar. quero uma viagem agora. argentina, itália, portugal, tô dentro. quem topa?

hero number two.

sometimes you have to kind of die inside in order to rise from your own ashes and believe in yourself and love yourself to become a new person. (gerard way) 

keep it going.

sometimes, bad things just happen. they're not necessarily followed by a good happening and we just have to deal with a lot of bullshit before we finally get some rest. it takes awhile but that doesn't mean you have to give up. get up. fight. have faith and hope. as much as it sounds hard, believe. maybe, yes, you're going through some shitty phase, a never ending storm. you just want a way out, but maybe you're just to busy with something else, you're not looking properly. maybe it's already there. maybe you have to walk a little more. prove something else. it's getting worst now, but i promise it'll get better someday. wait, something amazing awaits for you somewhere down the road. don't pull over just yet.

here i am, like they asked for it.

quando a gente aprende a lidar com as coisas da melhor forma possível, tudo parece fluir com um pouco mais de facilidade.

(don't) show what you've got.

o problema é o que eu não mostrei - não o que eu senti.

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